Estética e crítica das inteligências artificiais
autoria, curadoria algorítmica e disputa simbólica na era da automação criativa
Palavras-chave:
Estética Digital, Inteligência Artificial, Curadoria AlgorítmicaResumo
O presente ensaio investiga os impactos estéticos, éticos e comunicacionais da aplicação de inteligências artificiais (IAs) na produção cultural contemporânea. O objetivo central é discutir de que maneira os sistemas generativos desafiam os conceitos de autoria, originalidade e diversidade simbólica. Para isso, adotou-se abordagem qualitativa e exploratória, com análise bibliográfica interdisciplinar, observação crítica de plataformas de criação algorítmica (como DALL-E, ChatGPT e Midjourney) e exame de estudos recentes sobre o uso de IA na arte, comunicação e mídia. Os resultados apontam para a emergência de uma estética da simulação e para a consolidação de padrões visuais e narrativos baseados na repetição de conteúdos populares. Identificou-se que os sistemas de recomendação e personalização tendem a reforçar estéticas dominantes, reduzindo a variedade expressiva e invisibilizando formas culturais não hegemônicas. Como produto, o artigo propõe uma tipologia das principais implicações críticas das IAs no campo artístico, com foco na ética da criação, nos direitos autorais e na necessidade de regulamentações sensíveis à diversidade. A discussão revela que a IA pode ampliar os repertórios expressivos, mas que sua adoção sem diretrizes claras pode contribuir para a homogeneização cultural. Conclui-se que o futuro da estética algorítmica depende de práticas críticas e políticas públicas que combinem inovação tecnológica com justiça simbólica e pluralidade cultural.
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