Discurso da moral administrativa
efeitos de verdade e subjetividade no relato de servidores públicos
Palavras-chave:
Análise do discurso, Assédio moral, Governamentabilidade, Gestão públicaResumo
Este artigo propõe uma análise discursiva da matéria jornalística “Servidores denunciam assédio moral por parte da secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski”, publicada em 28 de julho de 2025 no portal R1 Palmas. A investigação insere-se no campo da Análise do Discurso em sua vertente arqueogenealógica, mobilizando os operadores teórico-metodológicos de unidade de discurso, objetivação e governamentalidade para compreender as relações de saber-poder que estruturam o enunciado. A partir do exame da materialidade discursiva, evidencia-se o tensionamento entre duas formações discursivas principais: uma, de caráter disciplinar-gerencial, sustentada pela racionalidade normativa da gestão pública; outra, de cunho ético-resistencial, fundamentada na linguagem da denúncia, da indignação e da vitimização dos servidores. Identificam-se processos de objetivação que constituem tanto a gestora como figura autoritária e repressiva, quanto os trabalhadores como sujeitos moralmente sacrificados e politicamente desautorizados. No campo da governamentalidade, observa-se a coexistência de duas formas de condução de condutas: uma centrada na vigilância institucional, e outra que atua por meio da exposição pública e do apelo moral. Conclui-se que o discurso jornalístico em questão opera como dispositivo de visibilidade e regulação simbólica, ao mesmo tempo em que participa da constituição de subjetividades e da redefinição das fronteiras entre autoridade e resistência. A análise revela, assim, que o discurso da moral administrativa está atravessado por disputas ético-políticas que atualizam as formas pelas quais o Estado é narrado, criticado e reinscrito socialmente.
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