Uso e abuso de Zolpidem
uma revisão de literatura
Palavras-chave:
Zolpidem, Desinformação, Uso recreativo de drogas, Automedicação, Transtornos relacionados ao uso de substânciasResumo
O zolpidem, hipnótico não benzodiazepínico indicado para insônia, tem ganhado relevância não apenas por sua eficácia clínica, mas também pelo aumento de uso recreativo, abuso e comércio ilegal. A pandemia de COVID-19 intensificou distúrbios do sono, impulsionando prescrições e revelando fragilidades no controle de distribuição. Este estudo teve como objetivo analisar o uso e abuso do zolpidem, com ênfase no consumo irracional e nas repercussões físicas, mentais e sociais do uso inadequado. Foi conduzida uma revisão integrativa da literatura, seguindo o modelo de Whittemore e Knafl (2005) e a análise temática de Bardin (2011), com buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, abrangendo publicações de 2006 a 2025. Após aplicação de critérios de elegibilidade, 19 artigos foram analisados. Os resultados apontam aumento expressivo no consumo, especialmente durante a pandemia, com relatos de automedicação, dependência, efeitos adversos como alucinações, amnésia, sonambulismo e risco de convulsões na abstinência. O uso recreativo, prevalente entre jovens e associado a outras substâncias, amplia riscos individuais e coletivos. Como produto, o estudo apresenta um panorama crítico para embasar políticas públicas, protocolos clínicos e ações educativas, favorecendo a inserção social do conhecimento ao orientar práticas mais seguras. Discute-se que, embora eficaz para insônia de curta duração, o zolpidem requer monitoramento rigoroso, prescrição responsável e campanhas de conscientização. A recente adoção da Notificação de Receita B (azul) no Brasil, em 2024, é um avanço regulatório, mas sua eficácia depende de fiscalização contínua e educação em saúde para prevenir abusos e reduzir danos.
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