Maneiras de fazer-cidade
transcorpografia e mulheres trans/travestis em Montes Claros/MG
Palavras-chave:
Cidade, Transcorpografia, Mulheres trans/travestis, CorpoResumo
Este artigo investiga a cidade como um território de disputas, analisando a intersecção entre gênero, sexualidade e a produção do espaço urbano, com recorte para a cidade de Montes Claros/MG, utilizando o conceito de transcorpografia como ferramenta teórica e metodológica. O objetivo é compreender como as mulheres trans/travestis exercem o fazer-cidade, tensionando o ordenamento cis/heteronormativo que estrutura os espaços urbanos e determina quem pode circular, onde e como. A pesquisa mobiliza as narrativas de vida das interlocutoras, suas sociabilidades e práticas cotidianas de circulação e ocupação dos espaços urbanos. Os resultados destacam que seus corpos-território atuam como agentes de desterritorialização e reterritorialização, produzindo micropolíticas que desafiam os planejamentos urbanos tradicionais e promovem novas formas de pertencimento e visibilidade. Assim, o fazer-cidade das mulheres trans/travestis em Montes Claros não apenas reclama direito à cidade, mas forja territórios existenciais atravessados por afetos, solidariedade e presença, multiplicando os sentidos urbanos e ampliando as possibilidades de ser e estar no mundo.
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