A influência do projeto arquitetônico nas taxas de infecção relacionadas à assistência à saúde nas Unidades de Terapia Intensiva
Palavras-chave:
Unidade de Terapia Intensiva, Arquitetura hospitalar, NeuroarquiteturaResumo
As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) representam um dos principais desafios contemporâneos para a segurança do paciente internados, estão associadas a maiores índices de morbimortalidade, prolongamento de internações e elevação significativa dos custos hospitalares. Estas infecções são especialmente prevalentes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde os pacientes encontram-se em condições críticas e submetidos a múltiplas intervenções invasivas. Embora a prevenção de IRAS esteja tradicionalmente vinculada a práticas de assistência à saúde e protocolos clínicos, evidências científicas nacionais e internacionais indicam que a arquitetura hospitalar desempenha papel fundamental na prevenção dessas ocorrências. O presente estudo realizou uma revisão de literatura de caráter integrativo, contemplando documentos normativos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e artigos de referência em Evidence-Based Design (EBD) e neuroarquitetura. Os resultados demonstram que a organização espacial das UTIs - em especial a adoção de quartos ou boxes individuais- está fortemente associada à redução de até 63% das taxas de infecções hospitalares, em comparação com enfermarias com leitos coletivos. Conclui-se que o projeto arquitetônico deve ser compreendido como estratégia de prevenção de IRAS e de promoção da segurança do paciente, apontando para a necessidade de integrar-se a protocolos assistenciais.
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