"Jogo do Tigrinho" e as implicações no processo pena brasileiro
entre a contravenção, os crimes correlatos e o impacto da regulamentação dos jogos de azar
Palavras-chave:
Processo Penal, Jogos de Azar, Contravenção PenalResumo
O presente artigo tem como objetivo investigar o fenômeno jurídico e social popularmente conhecido como “Jogo do Tigrinho”, uma modalidade de apostas eletrônicas que ganhou força no Brasil por meio de plataformas digitais. A partir de uma abordagem crítico-analítica, discute-se a adequação do tratamento processual penal brasileiro diante da crescente virtualização dos jogos de azar, avaliando a pertinência da contravenção penal do art. 50 do Decreto-Lei 3.688/1941, bem como a incidência de crimes correlatos, tais como estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O estudo também examina o debate legislativo em torno do Projeto de Lei n.º 2.234/2022, que propõe a regulamentação dos jogos e apostas, e suas possíveis implicações na política criminal contemporânea. Este estudo está fundamentado em doutrinas clássicas e contemporâneas e em fontes institucionais confiáveis. O trabalho defende que a resposta penal isolada se mostra insuficiente diante da natureza econômica e tecnológica dessa nova criminalidade, exigindo uma reformulação sistêmica da atuação estatal, pautada em regulação técnica, prevenção e racionalidade penal.
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