A discriminação lgbtfóbica enquanto violação do direito fundamental ao meio ambiente do trabalho equilibrado

estudos de caso

Autores

Palavras-chave:

Discriminação LGBTIfóbica, Meio Ambiente do Trabalho, Justiça do Trabalho, Orientação sexual, Identidade de gênero

Resumo

A partir da análise dos casos tratados nos Agravos de Instrumento em Recurso de Revista 1275-95.2015.5.09.0029 e 644-02.2015.5.21.0003, o presente estudo buscará a) demonstrar a fundamentalidade dos direitos à não-discriminação e ao meio ambiente do trabalho equilibrado, b) identificar expressões de discriminação no ambiente laboral e c) verificar se a discriminação LGBTfóbica se apresenta enquanto violação do direito ao meio ambiente do trabalho saudável. Os acórdãos supracitados, que foram selecionados por meio da técnica análise documental, trataram da responsabilidade civil (danos morais) por discriminação no ambiente de trabalho em decorrência da identidade de gênero e orientação sexual, respectivamente. Empregou-se o método hipotético-dedutivo considerando a hipótese de que a violência estrutural LGBTfóbica altera sobremaneira as dinâmicas das relações de trabalho, nas quais diversas expressões de discriminação contra LGBT desequilibram o meio ambiente do trabalho, culminando, portanto, em dupla violação de direitos. Concluiu-se que em um contexto em que a LGBTfobia é estrutural, incidindo, portanto, sobre o acesso aos direitos e resultando em marginalização social, garantir um meio ambiente do trabalho equilibrado, livre de discriminações por orientação sexual e/ou identidade de gênero, é meta necessária e urgente de um Estado Democrático de Direito que se fundamenta na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e na justiça social.

Biografia do Autor

  • Brendhon Andrade Oliveira, UFMT

    Mestre em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

  • Carla Reita Faria Leal, UFMT

    Realizou estágio Pós-doutoral no Rights Lab, da Universidade de Nottingham (UK). Visiting fellow no Rights Lab. Possui mestrado e doutorado em Direito das Relações Sociais, subárea Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). É professora associada da Universidade Federal de Mato Grosso, ministrando disciplinas na graduação e no mestrado em Direito. É Coordenadora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFMT (2023 a 2025). Juíza do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 23 Região - TRT23 (aposentada). Foi vice-diretora da Escola Judicial do TRT 23 e Presidente da AMATRA 23 gestões 2005/2007 e 2009/2011. Foi membro do Conselho Editorial da EdUFMT e é revisora de revistas jurídicas. Líder do Grupo de Pesquisa "O meio ambiente do trabalho equilibrado como componente do trabalho decente" . Membro da Coordenação do Projeto de Extensão PAI - Ação Interinstitucional para qualificação e reinserção dos trabalhadores resgatados do trabalho análogo à escravo e/ou de trabalhadores e comunidades vulneráveis a essa situação no Estado de Mato Grosso (UFMT/MPT-23/SRTb). Representante da UFMT na Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (COETRAE/MT) e membro do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Mato Grosso (CETRAP/MT), representando a AMATRA23.

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2026-02-02