Educação Superior, mercado de trabalho e precarização
evidências de overeducation no Brasil
Palavras-chave:
Educação Superior, Overeducation, PrecarizaçãoResumo
O aumento do contingente de pessoas com escolaridade superior ao exigido por seu posto de trabalho tem sido progressivamente estudado em diferentes partes do mundo e tem sido uma das evidências de precarização no século XXI. E, ainda que exista um debate metodológico de como medir a relação entre a escolaridade e o posto de trabalho, esse fenômeno, denominado de overeducation (sobre-educação), tem aumentado, progressivamente, em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Mediante o exposto, este artigo analisa conceitual e empiricamente como tem ocorrido este fenômeno no Brasil através da comparação de dados de graduados universitários e de postos no mercado de trabalho nos últimos 25 anos, valendo-se de pesquisa bibliográfica e sistematização de dados estatísticos de fontes oficiais como Censos da Educação Superior, produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o número de pessoas com acesso ao ensino superior no país seja relativamente pequeno em relação à população total, o resultado dessa expansão produziu um aumento no número de profissionais formados em diversas áreas, sem a devida absorção por parte do mercado de trabalho. Donde se conclui a necessidade de repensar as políticas de expansão da Educação Superior, em especial que a expansão de ofertas deve estar diretamente vinculada à expansão de empregos compatíveis. Às políticas de desenvolvimento têm de ser acrescidas políticas de geração de emprego para os portadores de Educação Superior.
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