Trabalho, poder e opressão

Uma leitura crítica da precarização laboral sob a ótica do filme O diabo veste Prada

Autores

  • Camille Victória Pereira Santos Souza Unimontes Autor
  • Leandro Luciano Silva Ravnjak Unimontes Autor
  • Maria Isadora Rodrigues Maia Unimontes Autor
  • Samara Vitória Maciel Lima Unimontes Autor
  • Victor Veloso Rabelo Unimontes Autor

Palavras-chave:

Assédio moral, Capitalismo estético, Cinema

Resumo

O presente artigo analisa criticamente a precarização do trabalho a partir do filme O Diabo Veste Prada (2006), relacionando os conflitos representados na obra cinematográfica a debates centrais do Direito do Trabalho, como a efetividade das normas de proteção, a tutela da dignidade da pessoa humana no ambiente laboral, o enfrentamento ao assédio moral e as novas formas de exploração simbólica no contexto neoliberal. A metodologia adotada possui caráter exploratório, fundamentada em pesquisa bibliográfica e em estudo de documentos normativos como a Constituição Federal de 1988 e a Consolidação das Leis do Trabalho, com apoio em autores como Ricardo Antunes, David Harvey, Marie-France Hirigoyen e Christophe Dejours. O filme foi utilizado como recurso hermenêutico e didático para a interpretação crítica das relações de trabalho nele retratadas. Os resultados obtidos são de natureza qualitativa, permitindo identificar as práticas neoliberais, ao privilegiar a flexibilização e a individualização, favorecem um cenário de instabilidade e naturalização de práticas abusivas, evidenciado no percurso da protagonista. O estudo demonstra que a precarização extrapola o aspecto econômico, atingindo dimensões subjetivas, como a estética e a saúde mental do trabalhador. O contraste entre a proteção normativa prevista na Constituição Federal e na CLT e as situações retratadas no filme revela a distância entre a legislação e o mercado de trabalho.

Biografia do Autor

  • Camille Victória Pereira Santos Souza, Unimontes

    Graduanda em Direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)

  • Leandro Luciano Silva Ravnjak, Unimontes

    Advogado. Professor Universitário. Doutor em Educação pela FAE/UFMG. Mestre em Ciências Agrárias pela UFMG. Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, Especialista em Direito Público, Especialista em Gestão Integrada: Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho. Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Sete Lagoas em 2003.

  • Maria Isadora Rodrigues Maia, Unimontes

    Graduanda em Direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)

  • Samara Vitória Maciel Lima, Unimontes

    Graduanda em Direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)

  • Victor Veloso Rabelo, Unimontes

    Possui graduação em Direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (2015) e especializações em Direito Processual pela Pontifícia Universidade Católica (2018) e em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Estadual de Montes Claros (2018). Atualmente é mestrando em Educação pela Universidade Estadual de Montes Claros (2024-) e coordenador pedagógico - Uptime - Comunicação em Inglês.

Referências

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho? Ensaio sobre as Metamorfoses e a Centralidade do Mundo do Trabalho. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2009.

ARAÚJO, Adriane Reis de. Assédio moral organizacional. Revista do Tribunal Superior do Trabalho, Brasília, v. 73, n. 2, p. 203-214, abr./jun. 2007.

BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho. Decreto -Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Brasília, DF: Presidência da República, 1943. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto- lei/del5452.htm. Acesso em: 21 ago. 2025.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 21 ago. 2025.]

BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 134, n. 248, 23 dez. 1996. Seção 1, p. 27834-27841.

BRITO, Rose Dayanne Santos de. Direito do trabalho na contramão: a precarização como regra. Università degli Studi di Roma Tor Vergata, Facoltà di Giurisprudenza, Dipartimento di Diritto Privato, Roma, RM, Itália. Disponível em: https://orcid.org/0000-0003-3757-7244

BUENO, L. D.; ROCHA, M. L. B.; OLIVEIRA, A. A. S. A precarização do trabalho e a desumanização psicossocial em produções cinematográficas. PSI UNISC, v. 8, n. 1, p. 62-77, 2024. DOI: 10.17058/psiunisc.v8i1.18498

CARDOSO, Ana Cláudia Moreira. Precarização do trabalho: políticas públicas e ação coletiva. Dezembro de 2022.

DEJOURS, Christophe. A banalização da injustiça social. Tradução de Luiz Alberto Monjardim; revisão de Sueli Bulhões da Silva. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1999.

FERREIRA, Ivo Júnior Celestino. O novo mundo do trabalho no cinema: a precarização da vida. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, 2019.

GRISCI, Carmem Lígia Iochins; DEUS, Estéfani Sandmann de; RECH, Sabrina; RODRIGUES, Maura Ferreira; GOIS, Pedro Henrique de. Beleza física e trabalho imaterial: do politicamente correto à rentabilização. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 35, n. 2, p. 406-422, 2015.

HARVEY, David. Neoliberalismo: história e implicações. Tradução de [nome do tradutor]. São Paulo: Loyola, 2005. (Original: A Brief History of Neoliberalism, Oxford University Press, 2005)

HIRIGOYEN, M.F. Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015

HIRIGOYEN, Marie-France. Assédio Moral: o que é, como reconhecer, como prevenir. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

LEYMANN, Heinz. Mobbing and Psychological Terror at Workplaces. Stockholm: Almqvist & Wiksell, 1990.

LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A estetização do mundo: viver na era do capitalismo artista. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

MARTINS, Júlia Trevisan; DOMANSKY, Rita de Cássia; CIAMPONE, Maria Helena Trench. Resenha bibliográfica: a banalização da injustiça social. Rev. Latino-am. Enfermagem, v. 14, n. 2, p. 292–293, março-abril 2006.

MIGALHAS. Quais são os tipos de assédio moral no trabalho? Entenda. Migalhas, São Paulo, 18 abr. 2023. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/400840/quais -sao-os-tipos-de-assedio- moral-no-trabalho-entenda. Acesso em: 11 ago. 2025.

OLIVEIRA, Cleyton da Silva. Neoliberalismo, sofrimento e indiferença. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, Franca, SP, Brasil. Disponível em: https://orcid.org/0000-0002-9575-6171

SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. São Paulo: Record, 2000.

SOBOLL, L.A.P. Assédio moral no trabalho. In: BENDASSOLLI, P.F., BORGES-ANDRADE, J.E. (Orgs.). Dicionário de Psicologia do trabalho e das organizações. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015, p. 85-94.

STEPHANI FLORES YANKE. Assédio Moral Laboral e a Responsabilidade Civil do Empregador. São Paulo, 2022.

TOLFO, S. da R. Acoso laboral: aportaciones teóricas y sugerencias de acciones. In: CANTERA, L.M.; PALLARÈS, S.; SELVA, C. (Orgs.). Del malestar al bienestar laboral. Barcelona: Amentia Editorial, 2013, p. 105-133.

Downloads

Publicado

2025-12-02