Terceirização na administração pública
impactos das reformas legislativas nas relações de trabalho e na garantia de direitos dos trabalhadores
Palavras-chave:
Administração pública, Direitos trabalhistas, GovernançaResumo
A terceirização consolidou-se como uma das principais estratégias de organização da força de trabalho na Administração Pública brasileira, impulsionada por reformas legislativas e marcos jurisprudenciais que ampliaram sua licitude. O modelo se sustenta na racionalidade gerencial, voltada à eficiência, à flexibilidade e à redução de custos diretos. No entanto, quando aplicada a serviços de interesse público, a terceirização também deve observar a racionalidade protetiva, inerente ao Direito do Trabalho, que impõe a preservação de direitos sociais e a prevenção da precarização. A compatibilização dessas racionalidades exige mecanismos de governança contratual, especialmente no que se refere à obrigação fiscalizatória estatal e à responsabilização da Administração diante do inadimplemento das empresas contratadas. A evolução normativa — com destaque para a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) — e a consolidação jurisprudencial pelos tribunais superiores vêm redesenhando o alcance e os limites desse modelo. Assim, o artigo analisa os limites e as garantias que regem a terceirização no setor público, com foco na responsabilidade subsidiária do Estado e nos riscos de fragilização dos direitos trabalhistas quando há falhas no controle contratual. Adota-se pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, orientada pela interpretação constitucional da proteção social e pelos padrões atuais de governança administrativa.
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