Nanotecnologia como ápice da biopolítica e seus limites
uma análise a partir das obras Laranja Mecânica e O Futuro da Natureza Humana
Palavras-chave:
biotecnologia, biopolítica, condição humana, nanotecnologiaResumo
Anthony Burgess, em Laranja Mecânica, e Jürgen Habermas, em O Futuro da Natureza Humana, evidenciam, por vias distintas, o cerceamento da autonomia humana provocado, respectivamente, por elementos físicos condicionantes e por intervenções biotecnológicas de caráter genético. À luz do método indutivo, ambas as narrativas são analisadas sob a perspectiva da biopolítica, conforme desenvolvida por Hannah Arendt, especialmente a partir da confusão entre “mundo” e “vida”, isto é, entre a ação humana e os processos vitais de manutenção da existência. Com o advento da nanotecnologia, contudo, a biopolítica alcança um novo patamar, ao deslocar o domínio técnico para o interior do corpo humano, permitindo intervenções intracorpóreas capazes de alterar biologicamente o indivíduo em escala nanométrica. Com a análise conjunta das obras, concluiu-se que a nanotecnologia representa o ápice da biopolítica contemporânea, exigindo regulação jurídica orientada pela preservação da autonomia humana e pela dignidade da pessoa como centro axiológico do direito.
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