Mitomania e Direito
uma análise da condição psicológica do mitômano e do seu tratamento na justiça criminal
Palavras-chave:
Mitomania; Psicologia Jurídica; Direito Penal; Mentira Patológica; Interdisciplinaridade.Resumo
A mentira acompanha o ser humano desde suas origens, refletindo não apenas a intenção de enganar os outros, mas também mecanismos de defesa psíquica, busca por desejos pessoais, conscientes e inconscientes, e até mesmo sendo utilizada evolutivamente na luta pela sobrevivência da espécie. Este trabalho analisa a evolução histórica e conceitual da mentira, desde suas expressões biológicas até sua problematização filosófica, teológica, psicológica e jurídica, com ênfase na mitomania: a mentira patológica. A pesquisa adota uma perspectiva interdisciplinar, evidenciando como a mentira foi interpretada ao longo dos séculos: como questão moral na Antiguidade, espiritual na Idade Média e racional na Modernidade. Na contemporaneidade, o fenômeno ganha novas dimensões com o avanço das ciências humanas, que identificam na mitomania um distúrbio psíquico caracterizado pela compulsão em mentir sem plena consciência de suas consequências. O estudo demonstra que a mitomania desafia os limites entre moralidade e patologia, exigindo do Direito uma abordagem sensível e crítica. Conclui-se que compreender a mentira e suas manifestações clínicas é compreender a própria condição humana, em que verdade e ilusão coexistem como partes inseparáveis da experiência subjetiva.
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