Capital humano, formação de incentivos e criminalidade
uma análise intertemporal do investimento precoce
Palavras-chave:
Capital humano; criminalidade; formação de incentivos; primeira infância; eficiência intertemporal.Resumo
O presente artigo analisa a criminalidade sob uma perspectiva econômica e intertemporal, examinando a relação entre formação de capital humano, construção de incentivos e políticas públicas de segurança. Parte-se da teoria do capital humano, desenvolvida por Theodore W. Schultz e Gary Becker, para sustentar que investimentos em educação, saúde e qualificação produzem efeitos relevantes ao longo do ciclo de vida. O estudo articula a análise econômica do crime com a abordagem de James Heckman, segundo a qual os incentivos que orientam o comportamento individual são construídos ao longo do tempo, especialmente na primeira infância, destacando o papel das habilidades cognitivas e socioemocionais na formação de trajetórias e na propensão ao crime. Examina-se, ainda, as estratégias de enfrentamento da criminalidade, argumentando que a repressão atua de forma reativa, enquanto políticas redistributivas, embora relevantes, são insuficientes quando desvinculadas da formação de capacidades. Conclui-se que o investimento precoce em capital humano apresenta superioridade em termos de eficiência e impacto social, ao atuar sobre os determinantes do comportamento. Defendendo a reorientação das políticas públicas de segurança para estratégias preventivas baseadas no desenvolvimento humano, capazes de promover reduções mais consistentes da criminalidade.
Referências
ALBUQUERQUE JÚNIOR, A. B. de; MAGALHÃES, F. de; RODRIGUES, L. C. E.; CARVALHO, M. L. de O. S.; ASNIS , V. P. A educação e a teoria do capital humano: um entrelaçamento de perspectivas contemporâneas . Caderno Pedagógico, [S. l.], v. 21, n. 6, p. e4692, 2024. DOI: 10.54033/cadpedv21n6-027. Acesso em: 1 abr. 2026.
BECCARIA, C. Dos delitos e das penas. São Paulo: Edipro, 2015.
BECKER, G. S. Crime and Punishment: an economic approach. Journal of Political Economy, Chicago, vol. 76, no 02, p. 169-217, 1968.
BECKER, G. S. El capital humano. Madrid: Alianza Universidad Textos, 1983.
BITTENCOURT, M. B; TEIXEIRA, A. N. Dissuasão criminal incompetente e insegurança social: gastos públicos e determinantes estruturais dos homicídios. Revista de Sociologia e Política, Curitiba, v. 31, e019, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-98732331e019. Acesso em: 01 abr. 2026.
CARVALHO, R. S. de. O investimento na formação do cidadão do futuro: a aliança entre economia e Educação Infantil como estratégia da governamentalidade contemporânea. Educar em Revista, Belo Horizonte, v. 32, n. 2, p. 229-253, abr. 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-4698144920. Acesso em: 01 abr. 2026.
COSTA, B. G. O impacto da escolaridade na criminalidade: a influência do programa educação de jovens e adultos - EJA. 2017. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) - Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana-MG, 2017. Disponível em: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/1383. Acesso em: 03 abr. 2026.
EHRLICH, I. Participation in illegitimate activities: a theoretical and empirical investigation. Journal of Political Economy n. 81, p. 521-565, 1973.
FONTGALLAND, I. L; LIMA, D. P. de. Teoria do capital humano: fatos e realidades sobre a educação no novo milênio. Rio de Janeiro: Amplla Editora, 2022.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ano 19, 2025. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/279. Acesso em: 01 abr. 2026
FRANCO, L. Investir em educação para a primeira infância é melhor ‘estratégia anticrime’, diz Nobel de Economia. BBC News Brasil, São Paulo, 21 maio de 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48302274. Acesso em: 31 mar. 2026.
HECKMAN, J. J. Investing in disadvantaged young children is an economically efficient policy. Fórum on “Building the economic case for investing in preschool”. Nova York: s.n., 2006.
HECKMAN, J. J. Schools, skills and synapses. Economic Inquiry, Oregon City, v. 46, n. 3, p. 298-324, 2008.
HECKMAN, J. J; MASTEROV, D. The productivity argument for investing in young children. Chicago: University of Chicago, 2004.
HECKMAN, J. J.; CARNEIRO, P. Human Capital Policy. Working Paper. Cambridge: National Bureau of Economic Research, 2003. Disponível em: http://www.nber.org/papers/w9495. Acesso em: 01 abr. 2026.
HJALMARSSON, R; LOCHNER, L. The Impact of Education on Crime: International Evidence. Research Report. CESifo DICE Report 2/2012.
LIMA, A. R. B de. Da humanização à impunidade: o discurso do desencarceramento no Brasil. In: I Seminário Brasileiro de Ciências Criminais, 1. ed. 2026, Arcoverde-PE. Anais eletrônicos do evento. No prelo.
LIMA, A. R. B. de; RODRIGUES, F. A. O Brasil prende pouco e mal: uma abordagem juseconômica do crime e do encarceramento no Brasil. MARQUES, Andreo Aleksandro Nobre; CAVALCANTI, Rodrigo. Direito penal econômico contemporâneo: doutrina, prática e jurisprudência. Natal: Insigne Acadêmica, 2025.
LOCHNER, L. Education, work and crime: a human capital approach. International Economic Review, v. 45, n. 3, p. 811–843, 2004.
OLIVEIRA, R. G. de. Desenvolvimento humano e a importância das habilidades não cognitivas para a educação: uma análise conceitual das políticas de avaliação educacional no Brasil. 2014. Dissertação (Mestrado em Economia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.
ORTOT, C. M.; SCAFF, E. A. S.; SOUZA, K. R. Educação infantil para a América Latina sob a ótica do “desenvolver a primeira infância” do Banco Mundial. Nuances: Estudos sobre Educação, Presidente Prudente, v. 34, n. 00, 2023. DOI: https://doi.org/10.32930/nuances.v34i00.10251
RODRIGUES, Fillipe Azevedo. Análise econômica da expansão do direito penal. 2ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2021.
RODRIGUES, F. A. Análise econômica do direito penal propriamente dita. Revista de Análise Econômica do Direito, v. 6, ano 3, p. 1-34, jul./dez. 2023.
RODRIGUES, J. G. O custo da omissão: como a falta de políticas de prevenção aumenta a criminalidade no Brasil. Consultor Jurídico, 12 fev. 2025. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2025-fev-12/o-custo-da-omissao-como-a-falta-de-politicas-de-prevencao-aumenta-a-criminalidade-no-brasil/. Acesso em: 01 abr. 2026.
SANDRONI, P. Novo dicionário de economia. 4. ed. São Paulo: Best Seller, 1994.
SHIKIDA, P. F. A. Aspectos da economia do crime em unidades prisionais da região metropolitana de São Paulo: elementos teóricos e evidências empíricas. Informe GEPEC, Toledo, v. 28, n. 2, p. 268–287, 2024. DOI: 10.48075/igepec.v28i2.33279. Acesso em: 31 mar. 2026.
SILVA, R. M. C. e; FERNANDES, J. C.; PIFFER, D. M. Análise das políticas de segurança pública e seu impacto na redução da criminalidade em São Paulo. Revista Gestão e Conhecimento, [S. l.], v. 19, n. 1, p. e415, 2025. DOI: 10.55908/RGCV19N1-016. Acesso em: 01 abr. 2026.
SCHULTZ, T. O capital humano: investimento em pesquisa e educação. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1973.
VIANA, G; LIMA, J. F. de. Capital humano e crescimento econômico. Interações, Campo Grande, v. 11, n. 2, p. 137-148, jul./dez. 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S1518-70122010000200003. Acesso em: 01 abr. 2026.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Alícia Regianne Bezerra de Lima, Dr. Fillipe Azevedo Rodrigues (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
A. Autores mantém ciência da política de acesso aberto e de democratização de conteúdo com o trabalho licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY 4.0).
B. A disseminação, registro, publicação em repositórios, índices, currículos e outros materiais é recomendada de modo promover a difusão do conhecimento para o maior número de usuários possível.
C. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online em veículos científicos ou midiáticos de popularização da ciência ou de educação em qualquer segmento, a fim de promover a difusão do conhecimento e prestar serviço à comunidade com ampliação do impacto do periódico e do trabalho publicado.
