A ineficácia da Lei Anti-doping no contexto das interfaces cérebro-máquina
Palavras-chave:
Direito Desportivo , Doping, Interfaces Cérebro-Máquina, Fair Play, NeurotecnologiaResumo
O esporte contemporâneo enfrenta uma mutação sem precedentes: o deslocamento da performance dos músculos para as sinapses. O presente artigo analisa a obsolescência do aparato regulatório antidoping, consubstanciado na Lei 13.322/2016 e no Código Brasileiro Antidopagem, frente ao surgimento das interfaces cérebro-máquina (BCIs) e das técnicas de neuromodulação. O problema central reside na miopia técnica das autoridades de controle, que permanecem adstritas à busca por metabólitos em fluidos biológicos, ignorando a eficácia indetectável de impulsos elétricos e implantes neurais como o "The Link" da Neuralink. Através de uma revisão bibliográfica e da análise de dados recentes da neurociência aplicada ao esporte, a pesquisa demonstra que a atual estrutura de fiscalização fere o princípio do fair play ao permitir uma desigualdade tecnológica insuperável. A hipótese confirmada indica que o sistema atual é incapaz de detectar o "doping invisível", o que desfigura a integridade moral da competição. Conclui-se que a iminente produção industrial de chips cerebrais prevista para 2026 exige uma transição urgente da vigilância bioquímica para a auditoria neurotecnológica, sob pena de o mérito humano ser definitivamente substituído pela eficiência fria do silício.
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