Apartheid de gênero no Afeganistão
a contradição entre o discurso ocidental de direitos humanos e a prática geopolítica pós-2021
Palavras-chave:
Afeganistão, Talibã, Direito das mulheres, Apartheid de gênero, Direito Internacional, Direitos HumanosResumo
O presente artigo examina a contradição entre o discurso ocidental de promoção dos direitos humanos e o desfecho concreto da intervenção militar no Afeganistão, encerrada com a retomada do poder pelo Talibã em agosto de 2021. Parte-se do problema: em que medida a retirada das forças ocidentais, negociada sem garantias de proteção às mulheres afegãs, contribuiu para a configuração daquilo que órgãos das Nações Unidas hoje classificam como "apartheid de gênero"? Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, mediante revisão bibliográfica e documental de fontes jornalísticas, relatórios de organismos internacionais (ONU, Human Rights Watch, Anistia Internacional) e literatura jurídica especializada. Os resultados indicam que os avanços obtidos pelas mulheres afegãs entre 2001 e 2021 constituíram uma janela histórica condicionada a interesses estratégicos externos, e não uma conquista social consolidada, revertida em poucos meses após a saída das tropas. Conclui-se que a ausência de cláusulas de proteção a direitos humanos no Acordo de Doha (2020) e o descumprimento afegão de tratados internacionais ratificados (PIDCP, PIDESC, CEDAW) evidenciam a insuficiência do atual arcabouço jurídico internacional para responsabilizar regimes que praticam discriminação sistemática de gênero, o que fundamenta o movimento em curso pela tipificação do apartheid de gênero como crime contra a humanidade.
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